Falta de emprego dificulta o pagamento de financiamentos.
Segundo a UNE, estudantes reclamam do prazo de carência.

Na luta para conseguir o diploma muitos jovens apelam para financiamentos, mas a dificuldade de conseguir emprego torna impossível pagar a dívida.

E antes mesmo de começar a vida profissional já estão com o nome sujo nos Serviços de Proteção ao Crédito.

Recém formado no curso de direito e o salário do Advogado, Audálio Novaes, mal dava para pagar as contas. O dinheiro ficou ainda mais curto quando as parcelas do financiamento estudantil subiram R$ 180 por mês para R$ 550. Agora ele questiona na Justiça o contrato assinado em 2001.

“Você começa pagando amortização, até aí pagável, depois passa a ter a adequação no período de seis meses, também pagável. E após um ano, ela passa a ser impagável. Ela chega a ter um reajuste, em média, de quase 500% em cima do que você pagava”, conta.

A defesa também quer a retirada do nome de Audálio e do fiador dele do Serviço de Proteção ao Crédito. “Há entendimentos de alguns juízes, de alguns tribunais de que não deve se inscrever o nome do estudante nos órgãos restritivos. É financiamento de educação, não de bem de consumo”, afirma o Advogado de Audálio, Dave Lima Prada.

Em 2009, o Fies completa dez anos. Até agora meio milhão de pessoas tiveram acesso ao programa. O estudante pode frequentar uma universidade do início ao fim do curso usando o financiamento estudantil. Mas para isso a universidade precisa estar inscrita no programa do MEC. O aluno também tem que provar que a renda mensal da família é menor do que o valor da mensalidade e apresentar um fiador.

Os juros no Fies são de 3,5% ao ano para cursos de licenciatura e de 6,5% para o restante. Um estudante de Direito, por exemplo, que financia 100% de um curso com mensalidade de R$ 1.000, paga durante o tempo da faculdade R$ 50 a cada três meses. É a primeira fase do financiamento.

Depois de uma carência de seis meses de formado, é que o estudante começa a pagar as parcelas. Nos primeiros 12 meses, o valor é equivalente a 25% da última mensalidade, aqui, R$ 250.

O restante é pago em um período equivalente ao dobro do tempo em que o Fies foi utilizado no curso. Direito dura cinco anos. Se o financiamento foi usado por todo esse período, o estudante terá dez anos para saldar a dívida. Serão 120 prestações fixas de R$ 837.

Nem todo mundo consegue honrar a prestação. Hoje, a taxa de inadimplência do Fies chega a 10%. Segundo a Une, uma das maiores reclamações dos estudantes é o prazo de carência.

“Temos em casos de financiamento para empréstimo agrícola tolerâncias, várias renegociações, prorrogação de prazo. Se nós queremos ajudar os estudantes é preciso ter também tolerância e flexibilidade para compreender como a política precisa beneficiar o estudante”, diz o Diretor Jurídico da Une, André Tokarski.

Para o Ministério da Educação, os problemas de pagamento são pontuais. “A informação que se tem é que a empregabilidade do aluno que faz curso universitário no Brasil é muito alta. Tanto assim que no Fies hoje a taxa de inadimplência é significativamente menor do que foi no passado”, afirma a Secretária de Ensino Superior do Mec, Maria Paula Dallari Bucci

A Secretária de Ensino Superior afirma que o Ministério está reformulando o programa. Hoje a seleção é feita uma vez por ano e toda operação pertence à Caixa Econômica Federal. “A idéia é que outros bancos possam operar, que os alunos possam tomar o financiamento a qualquer momento e que fique mais simples tomar o financiamento e que também a responsabilidade pela cobrança seja distribuída pelo banco que faz a operação”, completa.

Fonte: G1 – Globo.com

Falta de Emprego