A saga de alunos em busca da concessão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) tem alterado o dia a dia nas universidades. Diante dos problemas para conseguir o benefício, que custeia de 50% a 100% do curso superior, alguns alunos vão às aulas sem saber se poderão frequentar a faculdade e, até mesmo, se serão cobrados pelas instituições pelas mensalidades de 2014.

Um deles é Paulo Victor Silva, que está no último semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Cecília. É a primeira vez que recorre ao financiamento. No meio da incerteza de conseguir ou não o benefício, ele está fazendo o Trabalho Final de Graduação sem o nome na lista.

Na Strong Esags, o responsável pelo setor de financiamento estudantil da entidade, Fabrício Reis, afirma que os alunos que aguardam o Fies vão às aulas, mas a faculdade tem um acompanhamento paralelo da presença destes estudantes.

“Fui procurado por alunos que decidiram que, enquanto a situação com o Fies não for regularizada, mesmo frequentando as aulas, eles recebem falta. Em outros casos, o aluno assina um documento comprometendo-se a pagar as mensalidades em atraso, caso não consiga o financiamento. A verdade é que os alunos estão enlouquecendo”, conta Dave Prada, advogado especialista em questões de Educação.

Aulas continuam

Todas as instituições ouvidas pela Reportagem garantem que os alunos que têm problemas com o Fies frequentam as aulas normalmente.

Segundo a presidente da Unisanta, Lúcia Teixeira, a universidade está em contato com o MEC e acompanha as informações que partem do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Segundo ela, a instituição age de maneira “compreensiva” com os alunos que aguardam o financiamento. “Eles estão participando de todas as atividades acadêmicas, sem nenhum prejuízo ao seu desempenho escolar”.

Ela destaca que caso se houver alterações nas políticas de financiamento públicas, a Unisanta vai estudar outras possibilidades de financiamento.

A Esamc afirma que procura manter um canal de atendimento para sanar as dúvidas de forma clara e objetiva. “A Esamc não oferece alternativa de financiamento estudantil, porém, trabalhamos com diversos tipos de descontos oferecidos aos calouros no ato da matrícula, incluindo convênios com empresas”, diz a nota.

A UniSantos informa que os alunos do Fies frequentam as aulas regularmente e que foi fixado um prazo, até 30 de março, para que a situação possa ser resolvida.

Na próxima semana, porém, o reitor estará em Brasília em busca de uma saída junto a órgãos públicos e entidades, como a Associação Brasileira das Universidades Comunitárias.

Segundo Fabrício Reis, da Strong Esags, a entidade acompanha o caso e desde o início do ano adota medidas para não prejudicar os alunos. A instituição tem sistema de crédito reembolsável.

OUnimonte explicou que permite aditamentos e contratações do Fies, mas solicita ao MEC uma solução. Como alternativa, oferece o programa Unimonte Juros Zero, em que o estudante paga metade da mensalidade do curso e tem até o dobro do tempo para pagar, sem juros.

A Unaerp não respondeu até o fechamento desta edição. A Unip prefere não se pronunciar. O Unilus não retornou contato e a Unimes informou não ter contrato com o Fies.

O MEC reiterou que os contratos já firmados com o Fies estão assegurados. Novos contratos podem ser solicitados até 30 de abril. Além disso, a pasta garante que trabalha para resolver os problemas do sistema digital.

Fonte: A Tribuna.com.br